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César, Alexandre, Napoleão, Marx, Lênin... declinaram

Felipe Tiago Gomes ao lado de Raquel de Queiroz Rachel de Queiroz, talentosa escritora brasileira, filha de Fortaleza (1910/2003), projeção nacional aos 20 anos de idade, quando publicou um romance que lhe deu renome. Descreveu o sofrimento do sertanejo diante da seca. Depois mudou-se para RJ. Tornou-se a 1ª mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (1977). Como convidada de Dr. Felipe Tiago Gomes, Raquel assim se expressou: “O Trovadorismo chegou ao Brasil através dos colonizadores lusos travestidos de poetas populares. Antes dos jornais, o cordel era a fonte de informação. Há notícia de um folheto impresso, circulando no alto sertão pernambucano em 1836. Talvez impresso em Portugal pois entre nós, Sílvio Romero registrou a publicação do 1º trabalho em 1893 por Leandro Gomes de Barros. Leandro veio pra ficar, como Rodolfo Coelho, José Bernardo, João Martins, Manoel Caboclo, José Camelo, Zé Praxedes, João Melquíades, Zé Saldanha, etc. O poeta nordestino exterioriza a alma de uma raça através de renomados cordelistas... Lembro-me quando fiz a apresentação do livro “Eu Sou o Cego Aderaldo” em 1944, descrevendo-o como o último dos grandes cantadores. Tudo estava mudando com a o rádio que chegava aos lugares mais distantes do sertão. Quando Aderaldo cantava, comovia, emocionava, dominava os auditórios! Além de improvisar, também cantava versos de lavra alheia. Tinha mais de 80 anos e mais de 60 de cantoria. Lembro-me quando conheci, nos anos 60, um seu amigo e conterrâneo que muito falava de você e fez muito sucesso no sul do país, decantando as raízes sertanejas. Foi o saudoso Zé Praxedes! Muitos palácios e templos foram demolidos ao longo do tempo. César, Alexandre, Napoleão, Marx, Lênin e Stalin, declinaram, caíram da moda. Mas os versos de Homero já somam 2 500 anos de existência sem perder uma sílaba! No latim o poeta é conhecido como vate: adivinho, profeta, vidente, mestre. E nos bastidores me falaram que Saldanha é tudo isso. E muito mais: um sertanejo que fez seus trabalhos cruzarem o Atlântico, por ser expoente da cultura poetizada norte-rio-grandense. Levarei comigo a imagem forte do poeta que Felipe Tiago nos traz, cujo mote colorido glosou para todos, retratando a sociologia da decrepitude: ‘O Mundo só veio prestar quando eu não prestava mais!’ Honram-me os desígnios festivos que me trouxeram até José Saldanha. É um privilégio conhecer esse sertanejo!”
Escrito por Rosáfico às 23h19
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